Percebo em vários debates pelos quais passei e vou passando nessa minha jornada e luta da vocação de professor...vocação sim...trabalho nunca. Porque se considerarmos a profissão professor como apenas um trabalho, não subsistiremos na profissão. Agora VOCAÇÃO não...VOCAÇÃO não é pra qualquer um...é pra quem gosta...pra quem ama o que faz. Em todas as profissões existem os que assim levam sua profissão. Com amor e orgulho. Se doa, se entrega, apesar dos pesares, apesar das críticas destrutivas e não construtivas. Muitas deles com uma pitada de inveja, diga-se de passagem. Nos debates percebo a resistência de alguns grupos de profissionais, entre eles, pedagogos, professores, pensadores, em alfabetizarmos crianças na educação infantil. EU, sinceramente, contesto. E contesto veementemente essa posição. Porque só as crianças pobres não são capazes? porque as crianças com maior poder aquisitivo são capazes de aprender a ler e escrever com 4 e 5 anos de idade? é um absurdo. Alegam que as crianças ainda não possuem maturidade suficiente para essa experiência...que irá queimar uma etapa ou fase...BESTEIRA! em minha experiência com crianças de 5 anos que aprenderam a escrever elas se mostram bem felizes por isso...podem ler seus livros de histórias preferidos, seus gibis, escrevem seu nome, escrevem cartinhas de amor pro papai, pra mamãe...bilhetes carinhosos pro professor, com um enorme sorriso estampado no rosto. A questão é: não é o que se ensina mas como se ensina. Criança aprende brincando, criança pensa, reflete e melhor até do que muitos adultos que vejo por aí rsrs. Conduzindo o aprendizado de forma divertida, interativa, crítica, a criança modela sua personalidade. Aprende o que é bom e o que é ruim. E Pasmem! sabem dizer não, melhor que muitos adultos. Criança é corajosa (Basta ter um convívio familiar saudável, pois é claro, esse é primordial para seu desenvolvimento pleno), criança ouve, reflete, aprende como uma esponjinha que absorve cada gota d'água que esteja em sua frente. Esponjinha no bom sentido que sabe absorver o que observa...agora você que gosta de falar mal dos textos dos outros vai abrir o bocão ou pegar o canetão e dizer ou escrever...que isso esponja é objeto passivo? uma coisa que não pensa , um objeto, tá querendo dizer que criança só absorve não pensa? nananinanão...nada disso, como já disse esponja no bom sentido que aprende rápido...se tiver um bom professor e uma boa família irá absorver só o que é útil e saudável não é mesmo? diz aí agora ô seu bocão haha...
Agora...voltando ao Convívio Familiar...o que fazer se a criança não o tem? fica complicado, pois a escola ajuda mas é no seio familiar que a educação se completa, aliás, se completa não. É por onde deveria se iniciar e a escola completaria com ótimos profissionais valorizados com qualificação, bons salários, bons recursos pedagógicos.
Em todas as escolas pelas quais passei e foram muitas (porque não me adaptava hehe...não tem aluno rebelde? pois então...tem professor rebelde também e eu sou uma. Mas analisemos o porque de tanta rebeldia, depois voltaremos ao Convívio familiar. Os alunos tem todo DIREITO de se rebelarem ante um ensino aristocrático, chato, autoritário...desinteressante até. Diante de um PROFESSOR TRABALHO e não UM PROFESSOR VOCAÇÃO, ele se rebela. Não estou criticando os professores, Deus me livre, quem sou eu...estou criticando um sistema que não reconhece o profissional e desperta a sua vocação para trabalhar. Todos nós temos uma vocação. Tem que ser despertada. Ou o indivíduo já vem com ela consciente de que a tem, ou precisa de um empurrãozinho para ter consciência da semente que está precisando de água e luz para crescer e virar uma árvore que dê frutos. Todos nós temos e devemos dizer não há um sistema falido, que está aí como um zumbi sem noção de sua morte haha...a criança, o professor, o médico, o policial, todos...eu me rebelei diante de um sistema educacional que queria me pôr um cabresto...que queria comandar e frear a forma como eu conduzia o ensino-aprendizagem dos alunos. Perguntavam: qual sua metodologia professor? eu respondia: O MEU...
Não adianta querer seguir o que ciclano implantou no México, na Argentina...na França...GENTE!!!! GENTE!!!! ACORDA!!! a realidade brasileira é outra. Vária culturas, miscigenação, várias realidades diferentes em um pequeno(bem pequeno mesmo, rede pública né?), espaço físico. Salas de Aula lotadas, mosquitos da Dengue com seus rasantes acima de nossas cabeças e embaixo, em nossas canelas...trágico!
O que eu fazia? diagnosticava o que os alunos sabiam e a partir daí criava grupos onde os que tinham uma experiência mais ampla partilhavam com os que não tinham. Simples assim. Dava um colorido em minha sala, com animais falantes, pois a mente da criança é fértil, criativa e necessita viver fantasias...faz parte do seu desenvolvimento criativo, emocional...ela gosta de acreditar nisso, então porque caramba, vem um recém formado em pedagogia que nunca entrou em uma sala de aula, que nunca viu uma criança chorar de fome por viverem numa realidade dura e fria, me dizer que não devo colocar animais ou frutas ou imagens coloridas na parede de minha sala de aula porque senão gera poluição visual...ahhhh vai para ops...desculpe, quase perdi a postura...rs mas que às vezes dá vontade, ahhhh isso dá. Não basta pra essa criança o preto e branco de suas vidas? não basta para essa criança a realidade vivida em seu lar, na maioria cruel e violenta. então porque ora bolas, não posso conduzir o processo ensino aprendizagem como eu acho, aliás tenho certeza que devo conduzir. Então me rebelei...rebelei mesmo...mas como não posso com os milhares de cargos criados como mecanismo de adquirir voto, tive que tirar muitas vezes meu time de campo. Ou me adaptava ou ia pra outra escola. Saí, porque filho, cabresto em professor pensante ninguém coloca. Ele endoidece, mas nunca abaixa a cabeça. Quero uma sala colorida para meus alunos. O colorido estimula a alegria, não deixa a criança agitada, a criança fica alegre. Simples assim. Com cabresto me digam, qual ser humano desenvolve seu potencial, sua criticidade e criatividade? Para tais, é necessário liberdade de escolha e de expressão.
A criança tendo liberdade e não sendo coagida aprende a não ter medo, aprende a dizer não. Ela futuramente dirá não ao traficante, dirá não ao político corrupto que queira comprar seu voto, dirá não à violência, dirá não ao seu trabalho explorado. Dirá não ao pedófilo e aliado à sua criticidade o não além de rejeitar, denunciará, agirá para que isso não aconteça com outras pessoas. Mas isso não é simples utopia. Pode ser realizado. Começando com um novo sistema. Tem que haver um dilúvio moral e afundar todo um, sistema falido sem arcas dessa vez para que a semente podre do sistema falido não nasça de novo.
E como faremos isso? aprendendo a dizer não. Não na hora de votar. Não aceitando a corrupção. Tendo coragem e personalidade para se implantar um novo sistema. Somos a maioria. Nós podemos. Só agirmos. A família tem que ser a prioridade. O que faz uma família saudável? valores, comida, roupas, dignidade, cultura, lazer...
Criando-se projetos para esses ítens, e começando nessa geração, na próxima já teremos bons resultados. Quem vai querer roubar tendo noção de valores como respeito e amor ao próximo? quem vai querer roubar tendo comida, roupa, sem essa mídia aí que impõe marcas como sendo algo essencial para sobreviver? entrando a base familiar com uma correta noção do que realmente tem valor...não um celular, mas um livro de história...não um sapato caro, mas andar na areia da praia, com certeza o consumismo se extinguirá...e o simples terá real valor. Simples nada...a natureza é exuberante, digna de nossa máxima atenção.
A família assim iniciará o processo educacional do seu filho e a escola unida à ela, completará. Começando a alfabetização, os valores na educação infantil, construiremos um cidadão que no futuro não se deixará marginalizar, dirá não ao que é ruim e sim para o que verdadeiramente lhe faz bem. De novo a frase que amo: Simples assim. Só não será simples a implantação do novo sistema. Isso na verdade depende de nossa vontade e ação e diga-se de passagem poucos sabem agir enquanto muitos só sabem falar...

Deixem aqui sua opinião para demonstrarmos o quanto somos a favor ou não do ensino de valores e de alfabetizarmos nossas crianças aos 4 e 5 anos de idade...
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